Focus On

Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo: Educar: Um compromisso, uma paixão desde as origens da Companhia.

Desde o início do trabalho de S. Vicente de Paulo a Educação aparece como uma grande preocupação e em 1633, com a criação da companhia das Filhas da Caridade, Santa Luísa de Marillac começar a considerar a educação como um serviço urgente e preferencial para pessoas necessitadas, especificamente para meninas pobres.
Santa Luisa criou uma das primeiras escolas de professores na Europa e forneceu-lhes um conjunto de normas, instruções e regras lançou as bases do que foi e é hoje a escola Vicentina. Ela desenhou os documentos contendo os métodos de trabalho, a organização escolar e alguns princípios pedagógicos, de acordo com o seu tempo, que serviu como um manual de formação para professores das primeiras escolas vicentinos.
Atualmente, existem em todo o mundo uma ampla rede de escolas Vicentinos, executado pelas Filhas da Caridade, cujo Projeto de Educação continua a beber das fontes de seus criadores, adaptando-se às necessidades da sociedade de hoje, para não mencionar os princípios inspiradores que sustentam .
Um dos eventos importantes da Igreja na Educação foi o Congresso Mundial “Eduque hoje e amanhã”. Uma paixão que se renova “, realizada em Roma Castel Gandolfo em 18-21 de novembro 2015, organizado pela Congregação para a Educação Católica, a pedido do Papa.
Na apresentação do Documento “INSTRUMENTUN LABORIS” está indicado:
APRESENTAÇÃO
Os Membros da Assembleia Plenária da Congregação para a Educação Católica, convocada em 2011, aceitando o convite do Papa Bento XVI, confiaram ao Dicastério de preparar o 50º aniversário da Declaração Gravissimum educationis e o 25º aniversário da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae, que ocorrem em 2015, com o objectivo de relançar o empenho da Igreja no campo da educação. Há duas etapas principais que marcaram o caminho de preparação: um seminário de estudo com especialistas de todo o mundo, realizado em Junho de 2012, e a Assembleia Plenária dos Membros da Congregação, que se reuniu em Fevereiro de 2014. As ideias amadurecidas nestas reuniões encontram ressonância no presente Instrumentum laboris “Educar hoje e amanhã. Uma paixão que se renova”. Neste texto são recordados os pontos de referência essenciais dos dois documentos, as características fundamentais das escolas e das universidades católicas, e são esboçados os desafios que as instituições educativas católicas são chamadas a responder através do seu projecto específico. Nos anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, o Magistério dos Papas referiu com insistência a importância da educação em geral e o contributo que a comunidade cristã está chamada a dar-lhe. Acerca deste tema, também a Congregação para a Educação Católica interveio com vários documentos. Os aniversários de 2015 tornam-se, portanto, uma ocasião oportuna e valiosa para recolher os ensinamentos do Magistério e traçar as directrizes para as futuras décadas. O Instrumentum laboris foi preparado para esta finalidade. Traduzido em várias línguas, destina-se, em primeiro lugar, às Conferências Episcopais, à União dos Superiores Gerais e à União Internacional das Superioras Gerais das Congregações religiosas, às associações nacionais e internacionais de professores, pais, alunos e ex-alunos, bem como à dos dirigentes, e às comunidades cristãs para reflectir sobre a importância da educação católica no contexto da nova evangelização. Tal documento pode ser usado para se realizar uma avaliação nesta área pastoral de empenho da Igreja, mas também para promover iniciativas de actualização e de formação dos vários agentes nas escolas e nas universidades católicas.
Tal documento termina com um questionário para o qual todos são convidados a responder, para dar à Congregação para a Educação Católica indicações, sugestões e propostas que serão tidas em consideração, tendo em vista os eventos que estão sendo programados, em particular o Congresso Mundial que se realizará em Roma, de 18 a 21 de Novembro de 2015. Para este efeito, é necessário que as respostas ao questionário sejam enviadas para o Dicastério até ao dia 31 de Julho de 2014 (educat2015@gmail.com).
Card. Zenon Grocholewski, Prefeito
Cidade do Vaticano, 7 de Abril de 2014

O Instrumentum Laboris pode-se encontrar online nos seguintes endereços
http://www.educatio.va/content/cec/it/documentazione-e-materiali/documenti-della-congregazione.html

O Document Final deste Congresso pode ser útil para todos os interressados, ou dos que se dedicam “ao trabalho maravilhoso da “ educação” oferecemos o link do Documento Final que inclui a Mensagem do Papa Francisco ao Congresso.
http://sites.pucgoias.edu.br/eventos/siap/wp-content/uploads/sites/36/2015/10/Congregação-para-a-Educação-Católica.pdf
OU O TEXTO
CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA
CONGRESSO MUNDIAL
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
“Educar hoje e amanhã. Uma paixão que se renova” Roma – Castelgandolfo, 18-21 de Novembro de 2015

1. Finalidades do Congresso


Para celebrar o quinquagésimo aniversário da Declaração do Concílio Vaticano II Gravissimum educationis (28 de Outubro de 1965) e o vigésimo quinto aniversário da Constituição Apostólica Ex corde Ecclesiae (15 de Agosto de 1990), a Congregação para a Educação Católica quis relançar – através de um Congresso Mundial – o compromisso da Igreja no campo da educação. Nos anos do pós-Concílio, o Magistério várias vezes se pronunciou sobre a importância da educação e sobre a contribuição que a comunidade cristã lhe deve oferecer, principalmente nos lugares onde há uma emergência educativa evidente. Na verdade, os centros católicos de educação não são apenas “dispensadores de competências”, mas, por sua própria natureza, são lugares de encontro, de diálogo e de crescimento mútuo num percurso de educação para a vida que se abre aos outros na perspectiva do bem comum.
Recordar estes dois documentos do Magistério não foi apenas ocasião para uma reflexão sobre o seu conteúdo e para olhar para o passado, mas foi também uma oportunidade para ver o que eles produziram na comunidade cristã e para refletir sobre os problemas do contexto atual. Os trabalhos do Congresso foram, por isso, uma possibilidade para se conhecer uns aos outros e para renovar a paixão educativa de todos, para analisar em conjunto os atuais desafios daqueles que trabalham neste campo, para dar um impulso ao trabalho e para poder partilhar as próprias experiências com a de tantos outros de realidades e situações institucionais diferentes. O Congresso deu origem a um forte sentido de pertença a um grande projeto educativo que agrega: desde o projeto das escolas e das universidades católicas, até ao das associações e dos numerosos grupos envolvidos de várias maneiras na formação das novas gerações segundo a visão cristã. Todas estas realidades são expressão de uma Igreja que evangeliza através de um projeto educativo que difunde a mesma mensagem de luz e de esperança em todas as áreas do mundo, em benefício das crianças e dos jovens, especialmente daqueles que vivem em áreas geográficas mais difíceis e mais pobres.

2. Preparação do Congresso
Em Junho de 2012, sob a indicação dos Cardeais e Bispos Membros da Congregação, realizou-se em Roma, um seminário de estudo, com especialistas de todo o mundo. As contribuições dos participantes deram origem ao documento “Educar hoje e amanhã. Uma paixão que se renova” (2014) que constituiu um Instrumentum laboris para a preparação do Congresso. Nele foram reafirmados os pontos essenciais da Declaração Gravissimum educationis e da Constituição Ex corde Ecclesiae, as características fundamentais das escolas e das universidades católicas, e foram também indicados os desafios aos quais todas as instituições e associações de ensino devem responder com o próprio projeto. O Instrumentum laboris, que terminava com um questionário, foi enviado às realidades educativas católicas (Conferências Episcopais, Congregações religiosas, associações de escolas e de universidades, grupos de pais e outros Organismos interessados). O rico material recebido em resposta ao questionário foi analisado pela Escola de Alta Formação Educar ao encontro e à solidariedade (EIS), da Libera Università Maria Santissima Assunta (LUMSA) de Roma. A partir deste trabalho científico nasceu um segundo documento que constituiu os Lineamenta para os participantes do Congresso.
A preparação do Congresso foi acompanhada pela celebração de um Fórum na UNESCO, em Paris, realizado a 3 de Junho de 2015. Esse foi organizado pela Congregação para a Educação Católica e pelo Observador Permanente da Santa Sé e teve a participação de 400 participantes: embaixadores, reitores de universidades, directores de escolas católicas, representantes de associações de ensino, provenientes especialmente do âmbito europeu. Esta iniciativa, além disso, coincidiu com o 70º aniversário da criação da UNESCO. As Actas foram publicadas no primeiro número da nova revista da Congregação intitulada educatio catholica.


A preparação do Congresso também aconteceu dentro das associações e federações de escolas e universidades católicas, de algumas Conferências Episcopais, da Comissão de Educação dos Superiores Maiores das Congregações religiosas e de outros organismos educativos, que promoveram várias iniciativas, seminários de estudo, conferências para explorar os temas propostos, nas linhas indicadas pelo Instrumentum laboris.

3. Âmbitos do Congresso
Os trabalhos foram divididos em duas sessões plenárias: a sessão inaugural e a de encerramento com a participação do Papa Francisco, ambas realizadas na Sala Paulo VI, no Vaticano. Entretanto, nos dias 19 e 20 de Novembro, os participantes foram divididos em vários grupos. No Auditório da Via da Conciliação, em Roma, foi realizada a Assembleia da OIEC (Office International pour l’Éducation Catholique), enquanto os outros congressistas continuaram o trabalho no Centro Mariápolis de Castelgandolfo divididos no grupo das escolas, naquele das universidades católicas e da FIUC (Federação Internacional das Universidades Católicas), e no do grupo dos juristas da ELA (European Association for Education Law and Policy).
Os âmbitos dos trabalhos concentraram-se em quatro temas principais: a identidade e a missão das instituições católicas; os diversos sujeitos da educação; a formação dos formadores; os desafios atuais que interpelam o campo educativo. Cada área foi introduzida com uma conferência, a qual se seguiram testemunhos de experiências concretas realizadas em diferentes contextos, bem como outros aprofundamentos do tema. Os momentos para as intervenções livres evidenciaram algumas realidades vivas do serviço educativo provocando um envolvimento sincero.
O Congresso confirmou a convicção de que existe uma ligação estreita entre a identidade e a missão das instituições de ensino (escolas e universidades católicas). A missão educativa católica nasce, como no passado, da própria identidade da Igreja que se fundamenta no mandato da evangelização: «ide por todo o mundo e anunciai o evangelho a todas as criaturas» (Mc 16,15ss). Portanto, em vez de adoptar atitudes meramente reactivas de fechamento defensivo contra a sociedade secular que alimenta os valores do individualismo competitivo e que legítima, ou pior aumenta, as desigualdades e parece desafiar a educação nos seus valores mais profundos (o primado da pessoa, o valor da comunidade, a busca do bem comum, o cuidado da fragilidade e a preocupação pelos últimos, a cooperação e a solidariedade…), as escolas e as universidades católicas são chamadas a ter atitudes proactivas destinadas a reafirmar o valor da pessoa humana, a superar a indiscutível exaltação do lucro e do útil como medida de todas as escolhas, da eficiência, da concorrência individualista e do sucesso a qualquer custo.
Muitos são os sujeitos que interagem nas instituições educativas. O que caracteriza de modo particular a presença e a ação da pluralidade dos sujeitos dentro de uma escola ou universidade católica é que esses formam uma comunidade. Os traços essenciais que a caracterizam são os de ser comunidades profissionais, comunidades educativas e comunidades de evangelização.
A construção destas comunidades e, com essa, a reafirmação eficaz da identidade e da missão específica da escola e da universidade católica passa através da formação dos formadores. A comunidade de uma instituição educativa católica deve ser constituída por professores que não só possuam uma forte competência profissional que exige autonomia, capacidade de projeção e de avaliação, relacionamento, criatividade, abertura à inovação, interesse sincero na investigação e experimentação, mas que estejam também plenamente conscientes do seu papel educativo, da sua verdadeira identidade e da exigência de amar o seu serviço cultural prestado à sociedade, realizando-o com empenho e convicção. Hoje, a exigência da formação inicial e permanente dos dirigentes, dos professores e dos educadores é sentida com urgência. Note-se que a finalidade da formação tem como objetivo a construção e consolidação da comunidade dos educadores para a execução de uma missão educativa cada vez mais partilhada entre pessoas consagradas e os leigos; por conseguinte, é necessário criar uma verdadeira e própria formação partilhada, capaz de acolher e harmonizar a contribuição específica tanto dos consagrados como dos leigos.
O Congresso colocou, depois, em evidência os grandes desafios educativos que interpelam hoje as escolas e as universidades católicas do mundo, numa sociedade multicultural em profunda mudança. Os desafios podem ser resumidos numa única matriz: promover um percurso de educação integral dos jovens, confiando o cuidado e a orientação a uma comunidade educativa de evangelização, na qual se exprime de forma viva e vital a identidade da própria instituição educativa. Três desafios principais emergiram como os principais lugares de empenho das comunidades educativas no seu trabalho de formação e evangelização: o desafio da educação integral, o desafio da formação e da fé, o desafio das periferias, dos pobres e das novas pobrezas.

4. Pedagogia do Congresso
O programa foi construído em três percursos entrelaçados de reflexão e de trabalho
O primeiro percurso foi aquele dos momentos de oração, em particular da proclamação da Palavra de Deus como fonte principal onde extrair a força e a inspiração para renovar a paixão educativa. A oração concentrou-se à volta de quatro ícones: a) Jesus mestre de pessoas à procura de um guia seguro. Neste ícone pode-se ver a expectativa do coração dos homens do nosso tempo, que batem às portas das nossas instituições e esperam por uma resposta. b) A parábola do semeador que distribui abundantemente a boa semente em todos os tipos de terreno. Esta figura reflete a tarefa da Igreja de acolher nas suas instituições educativas todas as pessoas, sem fazer distinções, oferecendo a todos uma educação de qualidade, sem olhar para os diferentes tipos de terreno em que se trabalha. É a cultura da inclusão. c) Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Este ícone recorda para não se ter medo de apresentar com clareza a identidade das nossas instituições e as características específicas dos nossos projetos educativos, que se inspiram na antropologia e nos valores fundados no Evangelho, abertos ao diálogo com as diferentes culturas e sociedades. d) O mandato de Jesus aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo e anunciai o evangelho a todas as criaturas” (Mc 16,18). É o mesmo mandato que a Igreja renova hoje em cada um de nós, para que através do ensino, do estudo, da investigação e do compromisso formativo se possa testemunhar no mundo uma palavra capaz de gerar fraternidade, paz e unidade.
O segundo percurso seguido foi o das conferências feitas nas quatro áreas temáticas, enriquecidas pelas experiências que mostraram a variedade e a riqueza das propostas implementadas em instituições católicas espalhadas por todo o mundo. As reflexões desenvolveram com competência aspectos emersos nos Lineamenta, mas também ofereceram aprofundamentos pessoais de grande valor para as perspectivas futuras do empenho educativo.
O terceiro percurso seguido foi aquele informal, ligado a tudo o que aconteceu nos encontros e nos colóquios pessoais, e que contribui para as pessoas se conhecerem e estabelecer novos contatos. Isto constituiu uma oportunidade rica utilizada positivamente para construir uma comunidade educativa “global”, a grande família da educação cristã.

5. Serviço para a educação


Na conclusão do Congresso foi apresentado o serviço que a Congregação para a Educação Católica pretende oferecer para a promoção da missão educativa da Igreja.
a) As 210.000 escolas e as 1.865 universidades católicas, frequentadas por quase 60 milhões de alunos e estudantes, que juntamente com todas as outras organizações que trabalham na educação estão empenhadas na realização dos objetivos da UNESCO que, no Fórum Mundial “Educação 2030”, realizado em Maio de 2015 a Incheon, Coreia do Sul, confirmou o compromisso de uma educação para todos, lançado em 1990 a Jomtiem e renovado em Dakar no ano 2000. A declaração estabelece para o ano de 2030 alguns objetivos fundamentais: o compromisso de alargar cada vez mais o acesso à educação para aqueles que estão excluídos; garantir a inclusão e a equidade para derrotar as várias formas de marginalidade; garantir a qualidade do ensino para melhorar a aprendizagem; promover formas de aprendizagem ao longo de toda a vida, etc. A Congregação para a Educação Católica e todas as instituições educativas católicas partilham estes objetivos e pretendem dar o seu contributo para alcançá-los.
b) Além disso, o Dicastério, em colaboração com as associações das escolas e das universidades católicas, compromete-se na reelaboração das conferências do Congresso. Além da sua publicação e circulação on-line, as mesmas permitirão preparar um documento programático da educação que, retomando a Declaração Gravissimum educationis, a Constituição Apostólica Ex corde Ecclesiae e as orientações do Magistério da Igreja, reproporá de forma actualizada a raiz antropológica e os valores fundamentais sobre os quais garantir um serviço educativo inspirado cristãmente e de qualidade para as próximas décadas. Este trabalho será realizado em conjunto, dando continuidade ao estilo de cooperação que foi seguido na redação do Instrumentum laboris e a análise das respostas ao questionário que deram origem aos Lineamenta do Congresso. A partir deste importante primeiro trabalho, poder-se-á também elaborar, nos próximos anos, um Diretório para a educação católica e sobretudo as linhas para a formação de formadores.
c) Foi recentemente criada a Escola de Alta Formação “Educar ao encontro e à solidariedade” na Universidade Católica LUMSA de Roma. Esta Escola tem entre os seus objetivos o de promover a pesquisa científica em colaboração com universidades e centros académicos especializados de diferentes países. Esta Escola e outras semelhantes poderão ser de grande
serviço para todas as instituições educativas na preparação de projetos segundo os paradigmas pedagógicos retirados do Magistério da Igreja, e para saber dar respostas aos desafios do nosso tempo.
d) O Papa Francisco, acolhendo o pedido da Congregação para a Educação Católica, em 28 de Outubro de 2015, na comemoração do 50º aniversário da promulgação da Gravissimum educationis, constituiu a Fundação Gravissimum educationis. No seu quirógrafo o Papa, citando o documento do Concílio, escreve: “A Igreja reconhece que a gravíssima importância da educação na vida do homem e a sua influência cada vez maior no progresso social do nosso tempo estão profundamente unidas na realização do mandato recebido do seu divino fundador, de anunciar o mistério da salvação a todos os homens”.
Uma das principais finalidades da nova Fundação é promover pesquisas, estudos e publicações sobre o pensamento da Igreja em matéria de educação e cultura católica ao nível escolar e universitário, bem como apoiar eventos internacionais de natureza científica.
e) Para responder à necessidade de coordenação e de comunhão das forças no campo da educação, como fruto do Congresso Mundial, será estudada a forma para constituir junto da Congregação para a Educação Católica uma Consulta dos organismos educativos. Além disso, trata-se de realizar mais concretamente um serviço que é indicado pela própria Gravissimum educationis, no n. 12, com as expressões seguintes acerca das escolas e das universidades católicas:
“…deve procurar-se com todas as forças que entre as escolas católicas se favoreça uma apta coordenação, e, entre elas e as restantes escolas se intensifique a cooperação exigida pelo bem de toda a comunidade humana”;
também as universidades “…cooperem entre si com esforços unidos, organizando conjuntamente congressos internacionais, distribuindo entre si o trabalho de investigação científica, comunicando umas às outras as próprias descobertas, permutando temporariamente os professores, e promovendo tudo quanto favoreça uma maior ajuda mútua”.
A OIEC e a FIUC realizaram ao longo das décadas um trabalho considerável para alcançar essa coordenação. Há, no entanto, para além das Congregações religiosas e destas duas associações, muitas outras realidades associativas mais ou menos desenvolvidas e conhecidas que trabalham na no âmbito educativo – escolar, extra-escolar e universitário – que precisam de encontrar un ponto de referencia ao nivel de Igreja universal
6. Mensagem do Papa Francisco
O Papa Francisco participou na conclusão do Congresso respondendo às perguntas que lhe eram apresentadas. Nas respostas desenvolveu alguns pontos importantes sobre a educação.
a) Em primeiro lugar, recordou o valor integral da educação que, «como disse um grande pensador: “Educar é introduzir na totalidade da verdade”». Portanto, «não se pode falar de educação católica sem falar de humanidade, porque a identidade católica é precisamente Deus que se fez homem». Logo, «educar cristãmente é levar por diante os jovens, as crianças nos valores humanos em todas as realidades, e uma destas realidades é a transcendência. […] A maior crise da educação, na perspectiva cristã, é este fechamento à transcendência. […] Educar humanamente mas com horizontes abertos. Nenhum tipo de fechamento beneficia a educação».

b) O Papa Francisco lamentou, nos dias de hoje, a ruptura do pacto educativo no seguimento da qual «a educação tornou-se também demasiado seletiva e elitista». «O pacto educativo entre a família e a escola, interrompeu-se! Deve-se recomeçar. Também o pacto educativo entre a família e o Estado: interrompeu-se. […] Entre os trabalhadores mais mal pagos encontram-se os educadores: que significa isto? Significa simplesmente que o Estado não tem interesse. Se tivesse a situação não seria assim. O pacto educativo interrompeu-se. E aqui devemos intervir, procurar novos caminhos».
É preciso então procurar uma “educação de emergência” através de algumas estradas novas:
• a educação informal. «É preciso apostar na “educação informal”, porque a educação formal se empobreceu por causa da herança do positivismo. Concebe apenas um tecnicismo intelectualista e a linguagem da mente. E por isso empobreceu-se. É preciso interromper este esquema. E há experiências, como a arte, o desporto… A arte e o desporto educam! É preciso abrir-se a novos horizontes, criar novos modelos… […] Há três linguagens: da mente, do coração e das mãos. A educação deve mover-se nestes três caminhos. Ensinar a pensar, ajudar a ouvir bem e acompanhar no fazer, ou seja, que as três linguagens estejam em harmonia; que a criança, o jovem, pense aquilo que sente e faz, sinta aquilo que pensa e faz, e faça aquilo que pensa e sente».

• A educação inclusiva. «A educação torna-se inclusiva porque todos têm um lugar; inclusiva também humanamente. […] A verdadeira escola deve ensinar conceitos, hábitos e valores».

• A educação do arriscar. «Um educador que não sabe arriscar, não serve para educar. Um pai e uma mãe que não sabem arriscar, não educam bem o filho. Arriscar de modo razoável. Que significa isto? Ensinar a caminhar. Quando tu ensinas uma criança a caminhar, ensinas-lhe que uma perna deve estar firme no pavimento que conhece, e com a outra procurar ir em frente. Assim se escorrega, pode defender-se. Educar é isto. Tu tens a certeza neste ponto, mas isto não é definitivo. Deves dar outro passo. Talvez escorregues, mas levantas-te, e vais em frente… O verdadeiro educador deve ser um mestre de risco, mas de risco razoável».

c) Por fim, o Papa Francisco lançou alguns desafios aos educadores. Em primeiro lugar, o desafio das periferias. «Deixai os lugares onde há muitos educadores e ide às periferias. Procurai ali. Ou pelo menos, deixai metade deles! Procurai lá os necessitados, os pobres. E eles têm uma coisa que os jovens dos bairros mais ricos não possuem — não por culpa deles, mas porque é uma realidade sociológica: têm a experiência da sobrevivência, também da crueldade, da fome, das injustiças. Têm uma humanidade ferida. E penso que a nossa salvação vem das feridas de um homem ferido na cruz. Daquelas feridas, eles obtêm sabedoria, se houver um bom educador que os leve em frente. Não se trata de ir lá fazer beneficência, ensinar a ler, dar de comer…, não! Isto é necessário, mas é provisório. É o primeiro passo. O desafio — e eu encorajo-vos — é ir lá para os fazer crescer em humanidade, em inteligência, em valores, em hábitos, para que possam ir em frente e levar aos outros experiências que não conhecem».
Um outro desafio é o de demolir muros. «A maior falência que um educador pode sofrer, é educar “dentro dos muros”. Educar dentro dos muros: muros de uma cultura seletiva, muros de uma cultura de segurança, muros de uma camada social abastada e que não vai além».
O terceiro desafio é o de reconsiderar as obras de misericórdia na educação. «Neste ano da Misericórdia, misericórdia é apenas dar esmola, ou na educação, como posso eu fazer obras de misericórdia? Ou seja, são as obras do Amor do Pai. […] Como posso fazer para que este Amor do Pai, que é ressaltado especialmente neste Ano da Misericórdia, chegue às nossas obras educativas?».

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