Maria, Mulher de Fé (1)

– através dos olhos de Santa Luísa e do Concílio Vaticano II

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“Os Fundadores infundiram nas Filhas da Caridade o amor à Virgem e sua imitação. Nela convidam a contemplar (…) a Mãe da Igreja e única Mãe da Companhia, a quem Santa Luísa confiou a Comunidade nascente, que ela desejava colocar para sempre sob sua proteção.” (Constituições das Filhas da Caridade, 15b)

mary_faith_louise[Santa Luísa de Marillac] (E. 6 Sobre as virtudes e prerrogativas da Santíssima Virgem) Sua conceição e todas as graças infusas que lhe foram concedidas por causa da escolha que Deus fez dela para sua Mãe. Seu nascimento, sua vida puríssima, dedicada ao serviço do templo, e seu voto de virgindade, seus desponsórios, sua submissão e dependência, sua confiança na divina Providência, sua serenidade e o inexaurível abismo de todas as virtudes de sua bela alma durante o casamento eram sustentados pela grande humildade que lhe colocava sempre, ante os olhos, o que Deus nela realizava. Seu grande desapego e a doce tranquilidade de sua alma em meio aos padecimentos e morte de seu Filho, seu grande desprendimento de todas as coisas, ao permanecer na terra após a Ascensão mostram que vivia pelo puro amor que tinha por seu Deus e pela salvação das almas, pela qual trabalhou o resto de seus dias, em perfeita imitação do espírito de seu Filho.

(E. 39 Pensamento sobre a Santíssima Virgem) Prostrai-vos ante a Virgem a quem Deus quis redimir antes de criá-la e apresentai-lhe o estado de vossa consciência, pedindo-lhe vos alcance a emenda de vossa vida e remédio para as vossas mais prementes necessidades, tais como: um maior amor a seu Filho e mais forte união com sua divindade humanizada.

mary_faith_vatican[Concílio Vaticano II – Lumen Gentium] 56. (…) Deste modo, Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus. E abraçando a vontade salvífica de Deus, com coração pleno, não retida por nenhum pecado, consagrou-se totalmente como serva do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, servindo sob Ele e com Ele, por graça de Deus onipotente ao mistério da Redenção. Por isso, consideram com razão os santos Padres que Maria não foi utilizada por Deus como instrumento meramente passivo, mas que cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens. Como diz S. Ireneu, «obedecendo, ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o gênero humano». Eis porque não poucos Padres afirmam com ele, nas suas pregações, que «o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé».

64. Por sua vez, a Igreja que contempla a sua santidade misteriosa e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, torna-se também, ela própria, mãe pela fiel recepção da palavra de Deus: efetivamente, pela pregação e pelo Batismo gera, para vida nova e imortal, os filhos concebidos por ação do Espírito Santo e nascidos de Deus. E também ela é virgem, pois guarda fidelidade total e pura ao seu Esposo e conserva virginalmente, à imitação da Mãe do seu Senhor e por virtude do Espírito Santo, uma fé íntegra, uma sólida esperança e uma verdadeira caridade.