Testemunho de Irmã Catherine

Como eu vivi o Ano da Fé ? Na aventura imprevisível e na novidade

« Sim, mas será preciso que Tu colabores comigo, Senhor ! »

Foi assim que, no começo do Ano da Fé, eu disse sim para a Turquia.  Um apelo que me deixou espantada. Os caminhos do Senhor são realmente imprevisíveis e surpreendentes !

« Sim, mas será preciso que Tu colabores comigo, Senhor ! » e me lancei na confiança. Uma confiança cega, pois sou ignorante e desprovida de tudo que pode fazer uma missionário fora de suas fronteiras naturasis. E minha idade me conduziria mais logicamente a uma casa para idosas do que para um aventura !

Focus_on_Sr_CatherineMas o Senhor tinha uma outra ideia ideia no coração e foi para Ele que eu disse sim. E ele não esperou para colaborar comigo. Imediatamente, Ele me ofereceu uma paz interior que mesmo as emoções mais fortes não puderam perturbar. Ele me tomou pela mãos com as Irmãs que me acompanharam e aquelas que me acolheram com delicadeza e amizade. E fiz, sem preparação, o grande salto de minha pequena cidade de Corbonod,  tão calma, até Istambul, uma cidade enorme cheia de pessoas e barulho, sem outro medo a não ser o de me perder em meu novo mundo.

Il m’a prise par la main avec les sœurs qui m’ont accompagnée et celles qui m’ont accueillie avec délicatesse et amitié  Et j’ai fait sans préparation, le grand saut de mon petit village de Corbonod si paisible, jusqu’à Istanbul, énorme ville grouillante de monde et de bruit sans autre peur que celle de me perdre dans mon nouveau monde…

O que eu vim fazer aqui, neste mundo muçulmano e tão tarde em minha vida ?

Eu não vim « fazer », eu vim « ser ».

Simplesmente me juntar aos missionários que vieram para esta terra tão rica de nossa história cristão e testemunhar com eles a presença e o amor de Cristo por todos.

Deixar-me fascinar por todas as descobertas que se apresentarem a mim. A começar pela minha primeira viagem de avião. Como é imenso e belo ! Eu creio ter visto a Terra um pouco como Deus vê sua criação. Como fazes, Senhor, para estar presente nesta imensidão e, ao mesmo tempo, tão misteriosamente vivo no mais profundo do coração de cada pessoa ?

Maravilhar-me diante da beleza e da riqueza de uma cultura que era totalmente desconhecida para mim. A qualidade da acolhida e a graciosa cortesia própria dos turcos me fazem no Cristo quando caminhava entre os homens. Devia haver nele algo desta graça respeitosa e sorridente que suscita o desejo de relacionar-se. Que profusão de dons o Senhor semeou no coração, na mente e nas mãos de seus filhos ! Que bela criatividade à ser captada ! As galerias do metrô nos oferecem afrescos maravilhosos. Que bela diversidade de formas, cores, caligrafias a ser contemplada ! E nas lojas, é preciso ver a magia do tecidos, rendas, galões, jóias, cerâmicas ou çouças para entrar no reino das Mil e Uma Noites. E no mercado de tempeiros, sentir estes odores saboroso que entram em nossos narizes. Que maravilha devem existir em outros povos de nosso planeta ! Há muita gente em Istambul e enquanto caminho nesta multidão impressionante, cosmopolita, muito desna, eu proclamo interiormente « eu vi uma grande multidão de todas as raças, línguas, povos e nações… » e há tãopoucos cristãos aqui… Cresce em meu coração um grande desejo « Senhor, como eu gostaria de todos descobrissem teu amor e soubessem o quanto tu amas cada um. ».

Sentir as divisões entre os cristãos como uma ferida cujo conjunto constitui apenas uma pequena minoria no coração deste mundo muçulmano. Como é urgente que consigamos nos unir ! Minha oração pela unidade dos cristãos é muito mais ardente. E deixar crescer e florescer no meu coração uma esperança diante de todas as humildades iniciativas de encontros e orações em comum que se vivem aqui.

Deixar-me interpelar e renovar em minha própria fé pelas minhas novas companheiras. Sete Irmãs, seis nacionalidade diferentes. Em nossas partilhas, as dificuldades da língua provocam associações de palavras surpreendentes que nos fazem ir mais a fundo. E através de frases « deformdas », o Evangelho tem, algumas vezes, ressonâncias poéticas, inesperadas que abrem outros caminhos para a meditação. Nossas partilhas são enriquecidas pela pobreza de nossas palavras.

Viver uma dependência inesperada : a da língua. Não falar, nem compreender, nem ler, nem escrever é penoso. Exceto na comunidade, onde se fala francês tanto quanto possível, tudo se mistura nos meus ouvidos e me faz lembrar de Pentecostes. « Cada um compreendia na sua própria língua. » Eu não compreendo nada. Eu, constantemente, tenho necessidade da gentil paciência de uma ou de um tradutor para o menor encontro ou a menor necessidade. Minha fraca memória me prega peças com as expressões da vida cotidiana e, sobretudo, com palavras de amizade que eu gostaria de dizer aos doentes ou à equipe do hospital. Eu tento aprendê-las, mas elas não vêm aos meus lábios quando preciso. É muito frustrante, mas também é cômico. Muitas coisas são ditas através de mímicas e eu descubro em mim talentos de palhaço que provocam o riso e tecem laços de simpatia. « Ah, Senhor, realmente, Tu colaboras bem comigo ! ».

Os apelos à oração que dão ritmo aos dias, como nossos sinos do Angelus, fazem brotar de meu coração buquês de ação de graça. Bendito sejas, Senhor, por tudo o que me dás na agitação desta novidade que me impulsiona. Sim, eu quero cantar teu amor, Senhor.

Irmã Catherine Ethiévant, FC