Uma Irmã na fronteira entre a vida e a morte

É no delicado limiar entre a vida e a morte que surgem questões angustiantes, beirando a raiva: “Por que eu?”, “Por que Deus faz isto comigo?”. Se nestes momentos, além do médico especialista, você também é capaz de transmitir esperança e respeitar os valores das pessoas, você percebe quão importante é sua presença entre estes pacientes. Tudo se torna mais suave, até mesmo o sofrimento.

Sr.CostanzaIrmã Constanza Galli sabe que dentro dos quartos de cuidados paliativos da enfermaria do hospital público de Livorno, ela pode ser um “sinal” e, por isso, não se esconde. Ela continua usando o hábito das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. “Todos os dias, há histórias dos pacientes e suas famílias para escutar e partilhar, uma após a outra. Tenho encontrado muitas pessoas em seus últimos momentos de vida que me deram muito mais do que fui capaz de lhes oferecer.”

Irmã Constanza está em contato com aqueles pacientes que iluminaram sua vocação: “É verdade, eu me formei em medicina, então, me especializei em oncologia. Durante o exercício de minha profissão, eu passei muito tempo com pacientes em fase terminal. Percebi, pouco a pouco, mas de maneira muito forte, o que Deus queria para mim!”. Seus olhos revelam o sofrimento de Deus: “Ver Jesus nestas pessoas mudou a minha visão radicalmente”. Ser uma Filha da Caridade na realidade das enfermarias de cuidados paliativos tem um significado muito particular: “São Vicente de Paulo é o inventor da rede de caridade e o coração de nosso Carisma está exatamente aqui: Jesus está no Pobre. Quem mais, além de um paciente próximo da morte, pode ser considerado pobre?”.

Pequenas e zelosas delicadezas, atenção aos detalhes e gentileza nas palavras, sorrisos, silêncios fecundos vividos juntos: um conjunto de milhares de nuances diárias compõe o enredo de uma vida doada. Em primeiro lugar, é necessário ser respeitoso. “Por causa da função que desempenho”, afirma Ir. Constanza, “eu quero e tenho que ser respeitosa para com a opinião de cada um. Ao mesmo tempo, eu não quero esconder quem eu sou porque sei que minha presença pode ser uma ajuda para alguém. Claro, depende muito do que você diz e do que faz. Você é respeitado se for o primeiro a respeitar os outros”.

Além disso, há um pequeno segredo que sustenta os esforços de Irmã Constanza: toda noite, quando ela retorna para a Comunidade, na Casa São José, em Quercianella, há uma comunidade inteira que a apoia. “A missão neste serviço num hospital público de Livorno não é uma escolha pessoal, mas uma escolha feita por toda a comunidade que, constantemente, me encoraja e apoia”. Contemplativa na ação: no hospital, Ir. Constanza entrega seu corpo e sua alma aos pacientes; em Quercianella, a Comunidade a apoia com o poder da oração. “É uma família de verdade, onde eu posso considerar minhas perspectivas à luz de outras, compartilhar opiniões, discutir e fazer as pazes. É o Carisma Vicentino que me impele a estar a serviço dos pobres no hospital. Dia após dia, eu sou absorvida por este mundo; estou em contato com dezenas e dezenas de pessoas com ideias, frequentemente, contrárias às minhas. Mas, então, depois de um dia de cansaço, preocupações e questionamentos, em frente do Santíssimo Sacramento, minhas inquietações desaparecem, meu coração fica em paz e eu encontro a confirmação da minha escolha”. Estas palavras são o coração do caminho escolhido por Irmã Constanza.

Por Gianluca Maggiore (retirado de um artigo de “Toscana oggi”)

Link para o vídeo (em italiano). Avance para 2 minutos e conheça Ir. Constanza.