Mesa-redonda com Irmã Angélique Namaika, ganhadora do Prêmio Nansen para Refugiados em Genebra

angelique.1Irmã Germaine Price, representante da Companhia das Filhas da Caridade nas Nações Unidas, partilha a notícia abaixo vinda da ONU em Genebra:

[ONG-ONU] Irmã Angélique é a diretora do Centro para reintegração e educação de mulheres em Dungu, na região nordeste da República Democrática do Congo. Ela veio a Genebra para receber o Prêmio Nansen para Refugiados, concedido pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados. O prêmio foi concedido a esta religiosa de 45 anos que trabalha ajudando milhares de mulheres e meninas obrigadas a deixarem suas casas. Elas foram obrigadas a isso pelo grupo rebelde “Exército de Resistência do Senhor” e sofreram todos os tipos de violência e atrocidades.

Nesta ocasião, a Universidade organizou uma mesa redonda com a Irmã Angélique que reuniu várias pessoas do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, muitos estudantes e seus professores e também membros da ONU, das ONG’s e amigos.

Um filme mostrou as atividades de Irmã Angélique e o trabalho do Centro que ela criou. As pessoas vão para o Centro, em Dungu, depois de um período de adaptação com a ajuda da ONU e da UNICEF. Rejeitadas por suas famílias, elas são estigmatizadas e entregues à sua própria sorte. Chegam grávidas ou com um, dois ou vários filhos nascidos no cativeiro e encontram refúgio no Centro. Irmã Angélique abre seus braços e as acolhe, silenciosa e respeitosamente, em lágrimas. As palavras chegam mais tarde para ajudar em sua libertação.

O primeiro objetivo do Centro é cuidar das mulheres: elas começam a aprender a costurar; algumas se preparam para voltar à escola e continuar seus estudos. As crianças aprender a ler e escrever a fim de irem para a escola. As coisas diferentes que fazem nas oficinas e o que plantam juntas na horta as ajudam a ganhar um pouco de dinheiro para se tornarem independentes.

A missão de Irmã Angélique está estreitamente unida a do Centro. Ela está com as mulheres para ajudá-las a sobreviver às suas feridas desumanizadoras e a reintegrarem-se à sociedade. Irmã Angélique apoia a educação das crianças e dá um novo espírito de esperança a cada uma. Pela educação que recebem, as mulheres esquecem alguns dos seus problemas e se engajam num processo de reconstrução e independência.

Na conferência de Irmã Angélique, nós descobrimos uma mulher simples e atenta que responde aos outros com bondade e amizade. Uma jovem mulher, terapeuta e professora de psicologia na Universidade de Genebra, nos emocionou. Há 15 anos ela trabalha num centro especializado para  acolher refugiados e mulheres e crianças, vítimas da violência, de agressões e abusos de todos os tipos. Ela explicou que uma mulher cuja dignidade foi violada ainda é o pilar central da família, mas sua tristeza se reflete nos filhos e na sua família. Com relação à experiência de Irmã Angélique, ela destacou a grande ênfase no cuidado da mulher sendo uma presença discreta, respeitando seu silêncio e permanecendo atenta.

O prêmio em dinheiro será usado para criar uma padaria semi-industrial no Centro Dungu. Isso oferecerá trabalho para as mulheres e contribuirá para a independência de suas famílias.

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Nós éramos três Filhas da Caridade e, enquanto escutávamos Irmã Angélique, pensávamos em nossas Irmãs da República Democrática do Congo e de outros lugares que estão perto das incontáveis pessoas que sofrem as atrocidades da guerra. Nós gostaríamos de dizer algumas palavras à Irmã Angélique, mas não houve tempo. Ela partiu para Roma onde foi pedir para o Papa abençoar todas as pessoas do seu Centro e ela também.

Obrigada por este maravilhoso testemunho de coragem e amizade.

Genebra, 3 de outubro de 2013.

Filhas da Caridade de Grand Lancy e Irmã Monique Javouhey, representante em Genebra

Mesa-redonda com Irmã Angélique Namaika

Para maiores informações sobre as Filhas da Caridade na ONU: www.cmdcngo.org

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