Os caminhos sinuosos do Oceano Atlântico

atlantic.1Irmã Germaine Price, representante da Companhia das Filhas da Caridade nas Nações Unidas, partilha a notícia abaixo vinda da ONU em Nova Iorque: 

[ONG-ONU] Ano após ano, a rota era realizada num padrão triangular da Europa para a África e para as Américas e, então, começava tudo de novo, transportando mais de 15 milhões de homens, mulheres e crianças durante mais de 400 anos. Esta foi a maior migração forçada da história e, inegavelmente, uma das mais desumanas. 

Este comércio triangular de escravos conectou as economias de três continentes e aconteceu em três etapas. Os navios deixavam a Europa em direção à África cheios de bens que seria trocados por escravos. Em sua chegada à África, os capitães trocavam suas mercadorias pelos escravos cativos. Armas e pólvora eram os produtos mais importantes, mas tecidos, pérolas e outros bens manufaturados, como o rum, também tinham alta procura. A troca podia durar uma semana ou até meses. A segunda etapa era cruzar o Atlântico. Os africanos eram transportados para a América para serem vendidos em todo o continente. A terceira etapa ligava a América à Europa. Os comerciantes de escravos levavam de volta muitos produtos agrícolas produzidos pelos escravos. O produto principal era o açúcar, depois o algodão, o café, o tabaco e o arroz.

Um circuito inteiro durava aproximadamente 18 meses. A fim de ser capaz de transportar o número máximo de escravos, a terceira classe do navio era frequentemente removida, resultando em superlotação e mortes incontáveis. No começo do século XIX ficou claro para a comunidade internacional que o comércio de pessoas escravizadas não podia mais ser tolerado e assim foi abolido pela maior parte dos países a partir de 1870. Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU afirmou: “Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas”.

No entanto, em 2013 o mundo está testemunhando a praga de uma nova forma de escravidão que envolve 27 milhões de pessoas – o tráfico humano, definido como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração.”

Qual é a diferença, se é que existe alguma, da versão transatlântica da escravidão? Uma grande diferença é que o padrão de deslocamento não é mais simplesmente triangular. Agora ele é internacional e cobre todo o globo por rotas sinuosas. Ele tem que ser abolido também – AGORA!

Para maiores informações sobre as Filhas da Caridade na ONU: www.cmdcngo.org

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